O Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado nesta quarta-feira (28), traz uma reflexão sobre a cultura de privacidade em setores de infraestrutura. Para a TIC Trens, concessionária responsável pela operação da Linha 7-Rubi, implantação do serviço expresso Trem Intercidades (TIC) e do serviço parador Trem Intermetropolitano (TIM), a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) passa pelo gerenciamento do fluxo de dados de cerca de 400 mil passageiros por dia.
A complexidade no setor está relacionada à diversidade e ao volume de dados processados. A mobilidade urbana lida com uma grande quantidade de informações pessoais e a proteção desses dados não pode ser um tema isolado do setor de Tecnologia da Informação (TI) ou do Jurídico: ela precisa fazer parte da operação como um todo. Essa gestão é tão vital para a continuidade do serviço quanto a manutenção preventiva do material rodante ou das vias permanentes.
Nas concessões de mobilidade, como na TIC Trens, a proteção de dados cumpre as diretrizes previstas no Contrato de Concessão, especialmente no que se refere ao uso, compartilhamento e proteção de dados pessoais de passageiros. A concessionária tem o Data Protection Officer (DPO) como ponto de referência técnico e institucional e incorpora a avaliação de impactos à proteção de dados como etapa estruturante na implantação de novos projetos, sistemas e fluxos operacionais. Toda a atuação é integrada entre as áreas de Segurança da Informação, Jurídico, Compliance e Operação e ações de conscientização dos colaboradores.
De forma geral, um dos pontos de maior atenção no setor é a desmistificação de que a LGPD representa um impedimento à inovação ou ao uso de dados para o planejamento urbano. Pelo contrário, a lei estabelece os parâmetros para que o tratamento de dados seja responsável, segura e transparente. O uso adequado dessas informações permite otimizar a oferta de trens e melhorar a experiência da população. O segredo está na transparência: o passageiro, assim como colaboradores, deve ter a clareza de como seus dados serão utilizados.
Na mobilidade urbana, proteger dados é exercer responsabilidade social. Investir em capacitação e governança preserva a confiança no sistema e atualiza o direito à privacidade.
Embora muita gente associe a proteção de dados à era digital, a ideia de privacidade é bem mais antiga. Já em 1890, juristas passaram a discutir o chamado “direito de estar só”. Em 1970, surgiu na Alemanha a primeira lei moderna de proteção de dados do mundo, trazendo princípios que ainda utilizamos hoje, como finalidade e necessidade.
O projeto TIC Eixo Norte simboliza modernidade e inovação e a LGPD é parte dessa evolução histórica, adaptando conceitos consolidados ao contexto atual de tecnologias e serviços cada vez mais digitais. É natural imaginar, por exemplo, que o embarque dos passageiros siga tendências mais atuais, como o uso de reconhecimento facial ou recursos semelhantes. Por isso, é essencial olhar para esse tema com mais atenção desde agora.
Assim como a LGPD, o avanço tecnológico no transporte também acontece. Porém, ele só se legitima quando caminha ao lado da dignidade do cidadão. Esse cuidado se evidencia ainda mais considerando que o projeto TIC Eixo Norte atenderá 11 municípios, com a previsão de beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas.
Olivia Shibata Nishiyama é Gerente de DPO, Privacidade e Proteção de Dados da TIC Trens, concessionária responsável pelo TIC Eixo Norte e pela Linha 7-Rubi dos Trens Metropolitanos de São Paulo
A complexidade no setor está relacionada à diversidade e ao volume de dados processados. A mobilidade urbana lida com uma grande quantidade de informações pessoais e a proteção desses dados não pode ser um tema isolado do setor de Tecnologia da Informação (TI) ou do Jurídico: ela precisa fazer parte da operação como um todo. Essa gestão é tão vital para a continuidade do serviço quanto a manutenção preventiva do material rodante ou das vias permanentes.
Nas concessões de mobilidade, como na TIC Trens, a proteção de dados cumpre as diretrizes previstas no Contrato de Concessão, especialmente no que se refere ao uso, compartilhamento e proteção de dados pessoais de passageiros. A concessionária tem o Data Protection Officer (DPO) como ponto de referência técnico e institucional e incorpora a avaliação de impactos à proteção de dados como etapa estruturante na implantação de novos projetos, sistemas e fluxos operacionais. Toda a atuação é integrada entre as áreas de Segurança da Informação, Jurídico, Compliance e Operação e ações de conscientização dos colaboradores.
De forma geral, um dos pontos de maior atenção no setor é a desmistificação de que a LGPD representa um impedimento à inovação ou ao uso de dados para o planejamento urbano. Pelo contrário, a lei estabelece os parâmetros para que o tratamento de dados seja responsável, segura e transparente. O uso adequado dessas informações permite otimizar a oferta de trens e melhorar a experiência da população. O segredo está na transparência: o passageiro, assim como colaboradores, deve ter a clareza de como seus dados serão utilizados.
Na mobilidade urbana, proteger dados é exercer responsabilidade social. Investir em capacitação e governança preserva a confiança no sistema e atualiza o direito à privacidade.
Embora muita gente associe a proteção de dados à era digital, a ideia de privacidade é bem mais antiga. Já em 1890, juristas passaram a discutir o chamado “direito de estar só”. Em 1970, surgiu na Alemanha a primeira lei moderna de proteção de dados do mundo, trazendo princípios que ainda utilizamos hoje, como finalidade e necessidade.
O projeto TIC Eixo Norte simboliza modernidade e inovação e a LGPD é parte dessa evolução histórica, adaptando conceitos consolidados ao contexto atual de tecnologias e serviços cada vez mais digitais. É natural imaginar, por exemplo, que o embarque dos passageiros siga tendências mais atuais, como o uso de reconhecimento facial ou recursos semelhantes. Por isso, é essencial olhar para esse tema com mais atenção desde agora.
Assim como a LGPD, o avanço tecnológico no transporte também acontece. Porém, ele só se legitima quando caminha ao lado da dignidade do cidadão. Esse cuidado se evidencia ainda mais considerando que o projeto TIC Eixo Norte atenderá 11 municípios, com a previsão de beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas.
Olivia Shibata Nishiyama é Gerente de DPO, Privacidade e Proteção de Dados da TIC Trens, concessionária responsável pelo TIC Eixo Norte e pela Linha 7-Rubi dos Trens Metropolitanos de São Paulo