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ARTIGO: TIC Eixo Norte: um projeto pioneiro que resgata o protagonismo da ferrovia de passageiros no Brasil

Pedro Moro

30/04/2026
Neste mês de abril, quando celebramos o Dia do Ferroviário, avançamos com as obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, primeiro projeto estruturado de trem de média velocidade do país. Ao mesmo tempo em que o marco revela o pioneirismo nacional, também traz à memória dos paulistas momentos em que o transporte ferroviário de passageiros de longa distância era uma realidade no interior do estado.

Há 25 anos, um trem de passageiros realizou o último embarque na estação ferroviária de Campinas. Município que novamente será atendido pela ferrovia de passageiros, mas desta vez com dois projetos inovadores e sem precedentes: o Trem Intercidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas, alcançando uma velocidade de até 140 km/h; e o Trem Intermetropolitano (TIM), entre Jundiaí e Campinas, com 44 quilômetros de extensão e cerca de 33 minutos de trajeto.

Historicamente, a expansão ferroviária esteve diretamente associada à economia. A implantação da São Paulo Railway, ligando Jundiaí, no interior, ao Porto de Santos, no litoral, foi decisiva para viabilizar o escoamento da produção cafeeira, base do crescimento econômico paulista naquele período.

Esse modelo orientado à produção gerou efeitos que vão além da logística. As ferrovias paulistas estruturaram cidades, organizaram fluxos de trabalho, atraíram investimentos e ajudaram a consolidar São Paulo como principal polo econômico e industrial do país. O transporte sobre trilhos, neste contexto, não foi implantado para atender uma demanda urbana existente, mas foi o propulsor do desenvolvimento.

Ao longo do último século, o Brasil alterou a sua estratégia de mobilidade de passageiros e priorizou o transporte rodoviário individual, enquanto os trilhos permaneceram relevantes para carga. No entanto, o cenário começou a ser revisto nas últimas décadas.

A retomada de projetos estruturantes, com participação da iniciativa privada e novos modelos de concessão, realoca o transporte ferroviário no centro do planejamento de mobilidade, especialmente em regiões de alta densidade populacional.

Assim como no passado, com a São Paulo Railway, o estado volta a ser protagonista deste novo ciclo. Projetos como o TIC Eixo Norte e o TIM resgatam, em escala contemporânea, o papel histórico e fundamental das ferrovias, conectando regiões, reduzindo distâncias e fomentando o desenvolvimento.

O Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte introduz de forma pioneira o conceito de transporte ferroviário de média velocidade e, de forma integrada, o TIM, que conectará Jundiaí a Campinas, assim como a modernização da Linha 7-Rubi, reforçam a importância do modelo ferroviário voltado à integração e à competitividade.

O paralelo histórico é evidente, mas projetos como o TIC e o TIM representam novos serviços e sinalizam uma mudança de direção. Ao retomar o investimento em transporte ferroviário de passageiros, o Brasil constrói um novo eixo de mobilidade e se aproxima de modelos adotados em países que priorizam eficiência logística e qualidade de vida.

Enquanto no passado as ferrovias ajudaram a transformar São Paulo no principal centro econômico, no presente elas irão definir o Brasil do futuro.

Pedro Moro é diretor-presidente da TIC Trens, concessionária responsável pela implantação do Trem Intercidades (TIC) e do Trem Intermetropolitano (TIM), além da operação, manutenção e modernização da Linha 7-Rubi.